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As causas do acidente da Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo



Figura 1 - Indicação da estação e do trecho afetado (interior do círculo)
I - Introdução

Imediatamente após o acidente, ocorrido em 12/01/2007, na Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo, o CVA (Consórcio Via Amarela) concentrou seus esforços e recursos no restabelecimento da segurança da área escombrada, nas atividades conjuntas de busca das vítimas fatais, e no atendimento imediato às demais vítimas. Na seqüência entendeu como imperativo determinar causas do acidente. O presente corpo de consultores foi agregado ao grupo de trabalho interno do CVA dada a sua reconhecida experiência nos temas atinentes à obra.
 
II - Síntese do evento 

A Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo era basicamente composta por dois túneis (figuras 1 e 2), túnel leste (Lado Faria Lima) e túnel oeste (Lado Butantã), separados pelo poço de acesso Capri. 

Nos primeiros dias de 2007 os trabalhos haviam transcorrido normalmente nas obras. Na sexta-feira 12/01 as equipes trabalhavam na implantação de tratamento adicional em chumbadores no rebaixo dos túneis, definidos no dia anterior (figura 3), atendendo rotineiramente às imposições implícitas às medidas  de instrumentação até aquela data.

Fotos: divulgação Consórcio Via Amarela
Figura 2 - Vista aérea antes do colapso
No túnel do lado Butantã, as equipes estavam escavando o rebaixo, em avanços de aproximadamente 2,0 m, com detonações conforme prescrito nos planos de fogo, também em sua rotina.

As perfurações foram concebidas para serem instaladas em três níveis (figura 3): a 1,0 m de altura do piso de trabalho, a 2,75 m e a 3,75 m. A primeira linha não necessitava de equipamento de elevação para atingir sua altura de instalação, tendo sido concluída durante a noite. Para a execução das linhas seguintes preparou-se uma detonação menor no centro do túnel, para execução de uma rampa de acesso para colocar o equipamento de elevação.

Figura 3 - Chumbadores nos rebaixos do túnel

Às 8h00 da manhã, no sentido Faria Lima, foi executado o fogo menor necessário para a execução da rampa de acesso ao equipamento de elevação, e às 8h22 foi detonado um fogo no rebaixo do túnel lado Butantã, ou seja, do outro lado do Poço, a mais de 50 m de distância, fora da região acidentada.

Pelo fato do túnel estar completamente limpo (figura 5), sem disponibilidade de material resultante de desmontes anteriores, a formação da rampa de acesso permitira a obtenção do material para a transição em plano inclinado (figura 4a).

Ainda no período da manhã foi feita uma leitura pelas equipes de instrumentação dos túneis.  Esses dados, após processamento, não puderam ser interpretados e utilizados no processo decisório, na medida em que o túnel colapsou antes de sua distribuição para os técnicos e engenheiros da obra.

Figura 4 - Local do fogo da rampa

Seqüência do colapso
Por volta das 14h05, a equipe de instrumentação volta ao túnel, para uma nova campanha de leituras e "lá permaneceu por cerca de 20 minutos, aguardando a liberação do local. Durante esse período nada de anormal notou ou visualizou", conforme declaração de um depoente.

As 14h25, iniciou-se a leitura da primeira seção, levando cerca de 15 minutos para encerrá-la. Quando se preparava para iniciar a segunda seção de leitura, percebeu que no topo dianteiro do túnel haviam surgido trincas e fissuras e, em seguida, pediu que o seu operador de nível deixasse o local, pois estava perigoso.

Figura 4a - Estação Pinheiros Corpo da estação sentido Faria Lima. Rampa para descida de equipamento

Deixou o local pela escada, subindo os 35 m em dois a três minutos. Já na superfície, ao nível da rua, ouviu o primeiro estalo e saiu em desabalada carreira pela lateral do canteiro, como informou o depoente, e em seguida viu tudo desmoronar. Afirma que do momento em que gritou para o colega e o desmoronamento deva ter transcorrido cerca de cinco minutos.

Às 14h30, também esteve presente ao local do acidente a Fiscalização da CMSP, que "constatou que estavam sendo realizados os trabalhos de reforço das paredes do túnel, não anotando nenhum aspecto anormal, apesar da ausência de tirantes na obra para efetiva realização dessas intervenções".

Figura 5 - Imagem capturada do vídeo encaminhado pelo Metrô ao IPT. A filmagem foi feita pela equipe de fiscalização do Metrô no dia 11/01/2007, no túnel da Estação Pinheiros, portanto, na véspera do acidente. A seta indica equipe realizando medidas de instrumentação interna no túnel (1- túnel de via sentido Faria Lima; 2- calota com as marcas das cambotas, e 3- parede do 1º rebaixo). Notar que

Interpreta-se que vários sinais apareceram no túnel, praticamente ao mesmo tempo, como citados pelos diversos depoentes, sem que houvesse ocorrido qualquer sinal prévio. A queda de pequenos pedaços de concreto de revestimento, seguidos de estalos e surgimento de trincas no teto do túnel no lado Abril, caracterizou o início da instabilidade do túnel, sem qualquer evidência de um colapso generalizado.

Outra evidência importante é declarada por testemunhos presentes no interior do túnel, que relata que viu no meio do túnel, "um espaço de seis a oito cambotas caídas no chão e em seu lugar ficou na pedra", e segue em seu depoimento dizendo que "não era um espaço grande, era um espaço pequeno. Por isso eu achei que não ia nem cair o túnel".

Essas declarações caracterizam um desplacamento seguido de caída de blocos localizado do revestimento na zona da parede e do teto junto à parede ao lado do Edifício Abril, denominado de "capela", no meio técnico para o caso de túneis em rocha, e sem reflexo na superfície.

Figura 6 - Registro das câmeras do Edifício Passarelli. Às 14:53:59 - não há sinais de perigo eminente (câmera 1 do Passarelli). Às 14:54:00 - movimento brusco do transeunte mostra o momento da tragédia

A permanência do encarregado na frente de serviço, juntamente com outros técnicos, dava aos mesmos a autoconfiança de que não estavam diante de um colapso generalizado e sim de uma instabilidade localizada, e na expectativa de que se tratava de um desplacamento, permaneceram no local ainda por alguns minutos.  Logo perceberam o surgimento de outras trincas também no revestimento do poço, e um minuto depois o túnel e o poço desmoronaram, dando tempo somente para os técnicos e o encarregado correrem pelo túnel para o lado Butantã.

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