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Debate sobre acidente reúne IPT e Consórcio Via Amarela



Renato Faria
O Cobramseg 2008 (Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) reuniu, no final de agosto, as visões do Consórcio Via Amarela e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) sobre as causas do colapso do túnel da futura Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo, ocorrido em janeiro de 2007. O workshop internacional Geotechnical Infrastructure for Mega Cities and New Capitals teve uma sessão especial dedicada ao tema e contou com a apresentação do consultor norueguês Nick Barton, contratado pelo Consórcio Via Amarela para investigar o acidente, e outra do engenheiro André Assis, que apresentou o relatório produzido pelo IPT. O norueguês reafirmou o que o Consórcio já vinha divulgando desde março: o desabamento da estrutura teria sido provocado provavelmente pela soma de episódios simultâneos. Primeiro, o carregamento de uma rocha de cerca de 15 t e 10 m de altura (chamada de "torre sísmica"), localizada exatamente acima do túnel e não detectada por nenhuma das 11 sondagens realizadas antes das escavações. Entretanto, somente o peso da rocha não teria sobrecarregado a estrutura do túnel: a existência de uma falha geológica sob a rua Capri, associada ao vazamento decorrente da ruptura de uma adutora de águas pluviais, teria causado um aumento da pressão da água no subsolo exatamente sobre as escavações. A combinação inesperada desses fatores teria dado início à ruína, que aconteceu, segundo Barton, de maneira súbita, sem indícios prévios. Sobre o relatório do IPT, Barton estranhou o fato de o texto não mencionar a rocha de 10 m de altura sobre o túnel. O IPT também teria interpretado mal o arqueamento do túnel, que, para Barton, fazia parte da dinâmica de estabilização da estrutura. Em sua palestra, Assis apresentou o conteúdo do documento produzido pelo IPT, apontando possíveis falhas executivas e de interpretação das leituras dos instrumentos, além de deficiências nos planos de emergência. Sobre o questionamento de Barton, Assis assume que só identificou a torre sísmica no relatório do norueguês, mas afirma que o fato não era importante. Segundo o brasileiro, se a rocha apresenta boa qualidade, não há impedimento em construir um túnel sob uma "torre sísmica", já que a camada pétrea suportaria as tensões. "O problema é que o túnel foi construído muito raso [próximo ao solo mole]", defendeu.

Complexo de exposições do Anhembi é reformado
O complexo de exposições Anhembi Parque, em São Paulo, está passando por reformas. As principais intervenções até agora aconteceram no principal espaço do complexo, o Pavilhão de Exposições. A cobertura foi trocada e recebeu 68 mil m² de telhas isoladas acústica e termicamente com camada geotêxtil e EPS. O sistema de iluminação também foi remodelado para aumentar a incidência de luz natural em cerca de 30%, segundo a administração do local. Com a demolição dos mezaninos norte e sul, o pavilhão ganhou mais 6 mil m² de área útil, que já estarão disponíveis em outubro, para o Salão do Automóvel. Até o início de 2009, está prevista a instalação de um novo sistema de climatização no local. Outras intervenções ocorreram ou estão em andamento no estacionamento do Parque, no Palácio das Convenções e no Auditório Elis Regina. Segundo a administração do complexo, o custo total das obras é estimado em R$ 28 milhões, pagos pela Prefeitura de São Paulo (R$ 20 milhões) e pelo Ministério do Turismo (R$ 8 milhões).

Seminário busca soluções para rentabilizar empreendimentos
Em momentos de expansão do mercado, como vive atualmente a indústria da construção, surgem muitas oportunidades. De outro lado, o profissionalismo e a competitividade entre as empresas costumam aumentar ainda mais. Por isso, a PINI promove no dia 21 de outubro de 2008 (terça-feira) o evento "Tecnologia de Edificações para Obras Rentáveis - Como Desenvolver Soluções Técnicas Inovadoras de Projeto e Execução para Agilizar e Rentabilizar Empreendimentos". O seminário será realizado no Centro de Convenções Frei Caneca (Shopping Frei Caneca), localizado na rua Rua Frei Caneca, 569, no bairro da Consolação, região central de São Paulo (SP). Cinco palestras abordarão desde os aspectos do projeto de arquitetura e de estruturas, passando por novas soluções industrializadas de execução até cases reais de construtoras e incorporadoras. Confira a programação. Para mais informações, acesse www.piniweb.com/construtech, envie um e-mail para eventos@pini. com.br ou ligue para (11) 2173-2465 ou 2173-2474.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Norma de fundações em consulta pública
Em andamento há cinco anos, o processo de revisão da NBR 6122:96 - Projeto e Execução de Fundações se intensificou em 2008. Segundo o engenheiro Ivan Grandis, secretário da comissão de revisão da norma, os especialistas envolvidos nos trabalhos vêm se reunindo, em média, quatro vezes por semana. Ela se encontra em estágio de consulta pública e pode ser acessada no site da ABMS  (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) (www.abms.com.br). Grandis conta que a nova norma terá uma estrutura mais lógica que a atual, separando as recomendações de projeto - que serão mantidas no corpo do documento - da parte de execução - transformada em anexos normativos. Apesar de bastante avançadas, ainda não se chegou a um consenso sobre o polêmico capítulo 6 - Segurança nas Fundações.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Foco na racionalização
A décima edição do "Seminário de Estruturas" realizado pelo Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil  do Estado de São Paulo) contou com cerca de 300 participantes, que se reuniram no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, no dia 28 de agosto. Este ano o encontro teve como tema "Projeto e Produção com Foco na Racionalização". Paulo Sanches, coordenador do CTQ, destacou a necessidade de encontrar soluções construtivas que permitam a execução de várias etapas da obra simultaneamente. E cita o sistema das casas e pequenos edifícios construídos com paredes de concreto, que são ao mesmo tempo fechamento e estrutura, e ficam prontas em cinco dias. O sistema já está sendo utilizado pela Bairro Novo, empresa criada pela Gafisa e Odebrecht, em Cotia (SP), voltada a empreendimentos para a Classe C. O engenheiro de estruturas Ricardo França, professor da Poli-USP e diretor da França e Associados Engenharia elogiou as mudanças normativas com foco na durabilidade e a abrangência dos software nacionais, para ele até melhores do que os estrangeiros. "Hoje, num processamento com pórtico espacial, o software já mostra as deformações da grelha, o que ajuda na avaliação dos deslocamentos de vigas e lajes, proporcionando um grau de sofisticação grande", exemplificou.

Convidados internacionais
Os destaques internacionais do seminário foram o engenheiro Victor Eduardo Garcia Fuentes, gerente técnico da Constructora ASL Senarq (Grupo Sencorp), do Chile, que falou sobre o edifício alto "Titanium La Portada", em Santiago. E o professor de Engenharia de Segurança contra Incêndio da Universidade de Edimburgo, na Escócia, o peruano Jose Luis Torero, um dos maiores especialistas mundiais no assunto, que falou sobre segurança contra incêndio em edifícios altos e as implicações para as estruturas. Victor Eduardo Garcia Fuentes descreveu os grandes desafios do Titanium La Portada, o edifício mais alto do Chile, com 52 andares e 190 m de altura, categoria Triple A, cujo investimento deverá chegar a US$ 150 milhões. Sua concepção arquitetônica, em forma de velas de barco preenchidas pelo vento, resultou numa concepção estrutural ousada. Testada em túneis de vento, a estrutura é de concreto armado, sustentada por um núcleo rígido, pórticos perimetrais e lajes protendidas. Dentro de oito meses, a obra receberá 400 contêineres da China com materiais de acabamento como mármore, granito, revestimentos cerâmicos, entre outros. Já Torero destacou que a engenharia de segurança contra incêndio passa por grandes mudanças, em razão das novas e ousadas concepções estruturais dos edifícios altos. "As grandes lajes livres, sem o recurso da compartimentalização, são mais suscetíveis à propagação do fogo e fumaça", alertou. Torero defendeu um novo paradigma de atuação do engenheiro de proteção ao fogo, que deve entrar no processo desde a concepção arquitetônica e estrutural.

Pesquisadores criam pavimento que "despolui" o ar
Pavimentos de concreto capazes de absorver as impurezas do ar serão testados na cidade holandesa de Hengelo. Segundo pesquisadores da Universidade de Twente, que desenvolveram o material, as camadas superficiais dos blocos transformam em partículas sólidas os óxidos de nitrogênio (NOx) presentes no ar poluído com gases oriundos da queima de combustíveis fósseis. Misturada ao concreto, a substância responsável pela catálise é o dióxido de titânio: sob a ação da luz solar, essas moléculas transformam o NOx - responsável por fenômenos como a chuva ácida - em nitratos inofensivos. O produto resultante da reação deposita-se em forma de poeira na superfície da via, que, segundo os pesquisadores, é lavada com a primeira chuva que precipitar. O laboratório para avaliar na prática o desempenho do produto é uma rua no centro de Hengelo. No experimento, ela será dividida ao meio - uma metade pavimentada com blocos "normais", de controle, e a outra com os novos blocos. A qualidade do ar será monitorada em cada seção para mensurar a eficiência do pavimento. A via foi escolhida em função do volume de carros que por ali transitam e porque no momento está sendo reconstruída. Os blocos serão produzidos pela Struyk Verwo Infra.

Campinas exige projeto de acessibilidade para novos empreendimentos
Autores de projetos imobiliários e proprietários de obras em Campinas deverão apresentar um projeto simplificado de como serão cumpridas as normas de acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. A exigência vem com um decreto publicado no Diário Oficial do município no mês de agosto. O documento deverá ser entregue para se obter a aprovação e licenciamento das obras particulares. O texto do decreto aponta que deverão ser cumpridas todas as medidas previstas pela legislação, especialmente com relação ao Decreto Federal 5296/04 e à NBR 9050 da ABNT. Ligada à Secretaria Municipal de Urbanismo, a CPA (Comissão Permanente de Acessibilidade) será responsável pela orientação dos incorporadores e projetistas.

 
 
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