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Reforço plástico


Geossintéticos aumentam resistência dos solos à tração e garantem a contenção e suporte de carga dos terrenos


Por Heloísa Medeiros


Marcelo Scandaroli
Fabricadas com polímeros, as geogrelhas são dispostas em camadas e confinam porções do solo
Os geossintéticos são mantas fabricadas à base de polímeros, cujas propriedades contribuem para melhoria de obras geotécnicas, desempenhando alternadamente as funções de reforço, filtração, drenagem, proteção, separação, impermeabilização e controle de erosão superficial em solos. E como o solo possui resistência à compressão, mas pouca à tração, a função dos geossintéticos é proporcionar ao solo maior resistência à tração, contribuindo para sua sustentação.

Entre os vários tipos de geossintéticos, as geogrelhas, membranas rígidas utilizadas para executar estrutura de contenção e reforço em taludes, podem também servir para soluções que incluem vegetação (em geral, gramíneas), formando paredes ou muros "verdes". Fabricadas com polímeros tais como poliamida, PVC ou polipropileno, polietileno de alta densidade ou poliéster, são vazadas e têm como função predominante o reforço de solos moles. As geogrelhas são dispostas em camadas e confinam porções de solo. Por serem permeáveis, ajudam a manter a capacidade de absorção de água do talude, evitando a saturação do solo.

Nos muros verdes, as sementes de grama são semeadas na terra, ou noutro substrato, na fase final de execução do talude, para que a vegetação se componha com o geossintético, ajudando a aumentar as propriedades de resistência à tração e à erosão da contenção projetada. Há fabricantes de geogrelhas que oferecem o produto já com substrato para que a vegetação cresça.

Soluções associadas
Segundo Maurício Abramento, da CEG Engenharia, empresa de consultoria na área de solos, há a opção de usar as geocélulas (células poliméricas soldadas entre si, semelhantes a uma colméia). Elas podem ser fixadas nas camadas horizontais próximas à face do talude, associadas às geogrelhas, responsáveis pela resistência à tração. E depois preenchidas com areia, brita, concreto ou solo, de acordo com o projeto e a finalidade da obra. "Para promover a junção dos dois materiais, a última linha de geocélulas deve ser preenchida com pedras de tamanho médio, que entram nos vãos da grelha de modo a transferir os esforços de um geossintético a outro", explica.

Os tipos de geogrelhas, oferecidos em materiais poliméricos pelos fabricantes em diversos formatos de trama, podem ser usados com blocos pré-moldados de concreto na composição da contenção do talude. Assim, a geogrelha é disposta em camadas alternadas com o solo, como se fosse uma massa folheada. Para a solução com vegetação, as geogrelhas são dispostas em camadas para estabilização do maciço, dobrando-a na face externa do talude, o que forma uma "bolsa" que serve para colocação do substrato onde será semeada a grama. Outro tipo de geogrelha é composto por grelha metálica protegida com fios, com formato hexagonal, que pode já vir de fábrica com uma "bolsa" na extremidade, o gabião-caixa, para a colocação das pedras. Nessa composição, a função dessa face é prover sustentação parcial do solo e a função da geogrelha é reforçar o maciço.

"É fundamental, no entanto, tomar o cuidado de proteger essa face externa, a fim de evitar vandalismo, fotodegradação por raios UV ou por calor. Se não for tomada essa providência, pode ocorrer, no longo prazo, a instabilidade do talude. Quando utilizada, a vegetação é um recurso que ajuda a proteger a geogrelha, pois proporciona sombreamento ao material", destaca Abramento.

O substrato para a vegetação pode ser composto de biomantas, posicionadas dentro do envelope de geogrelha, formando patamares, como escadas, onde são dispostas as sementes. Ou ainda, é possível promover uma hidrossemeadura, quando forem usadas pedras na face externa do talude, que consiste em jateamento de água com as sementes de grama.

Grama armada
Outra opção para os taludes "verdes" é o sistema de grama armada, que consiste em utilizar a geogrelha fixada com grampos associada ao plantio de grama no talude. Nesse caso, não há a utilização da capacidade portante da geogrelha. A grama armada serve para a proteção de taludes de solos moles e de taludes íngremes, pois após o plantio da vegetação, a grelha sombreia o talude, conservando a umidade do solo e garantindo um bom índice de germinação.

A vegetação pode ser então plantada por hidrossemeadura, semeadura manual ou grama em placa, resultando num tapete reforçado e homogêneo, que garante a estabilidade superficial. Nesse sistema, a geogrelha também ajuda a dissipar as águas da chuva, reduzindo seu impacto sobre a superfície do talude, evitando ravinamentos quando a vegetação está na fase de crescimento/germinação, e ao mesmo tempo permite a entrada de umidade para o crescimento das plantas. A geogrelha também impede escorregamentos de terra e de fragmentos de rocha, já que possui resistência à tração adequada para esses tipos de solicitação.

Solo reforçado
As obras de contenção com solo reforçado têm custos menores que muros e estruturas de concreto, e grande eficiência e durabilidade. Por isso, elas vêm cada vez mais ganhando mercado. A contratação de um bom projeto é de fundamental importância. A primeira etapa de uma obra dessas é o dimensionamento, que deve ser rigoroso. "Este vai considerar a estabilidade interna que comporta a superfície, levando em consideração o espaçamento e o comprimento das camadas de solo e geogrelhas, e se for o caso o uso de blocos. A estabilidade é prioridade em qualquer estrutura de contenção, quando se trabalha com a capacidade de carga", destaca Abramento.

Na fase de processo construtivo é preciso levar em conta a contenção temporária, necessária enquanto os taludes são construídos, lembra o engenheiro. Outro ponto importante destacado pelo especialista é a drenagem do talude, essencial para evitar que a água percole por locais errados. Normalmente, utilizam-se drenos de PVC nas faces externa e posterior da obra.

Formatos de geogrelhas

Fotos: Sofia Mattos
Fabricadas em diversos formatos, com polímeros tais como PVC, polipropileno, polietileno de alta densidade ou poliéster, as geogrelhas ajudam na capacidade portante dos solos

Fotos: Sofia Mattos
Geocélula, com células poliméricas soldadas entre si, semelhantes a uma colméia, são usadas em "paredes verdes". Há também as geocélulas de juta, que são biodegradáveis

Conteúdo online exclusivo:
>>> Desenho esquemático de aplicação de geogrelhas
>>> Referência dos principais tipos de polímeros
>>> Normas de geossintéticos

LEIA MAIS
Manual Brasileiro de Geossintéticos. José Carlos Vertematti. Abint (Associação Brasileira das Indústrias de Não-Tecidos e Tecidos Técnicos)

 
 
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